o homem, o poeta!
Elias Habib Farhat (1893–1976) foi um poeta líbano-brasileiro cuja obra em língua árabe se tornou referência na literatura da diáspora, o mahjar. Nascido em Kfarchima, aldeia do Monte Líbano, e radicado no Brasil a partir de 1910, ele atuou como poeta, tipógrafo, colaborador de jornais em árabe e figura de destaque na Liga Andaluza de Letras Árabes, grupo de escritores sírio-libaneses estabelecidos em São Paulo.
Sua poesia combina tradição árabe clássica com temas modernos: exílio, identidade, nacionalismo árabe, crítica ao colonialismo, amor, natureza e a vida cotidiana dos imigrantes. Em diversos estudos, ele é citado como um dos principais poetas árabes do século XX e como símbolo da ponte cultural entre o Líbano e o Brasil.
Origens e infância em Kfarchima
Elias Farhat nasceu em 8 de dezembro de 1893, em Kfarchima, vila nos arredores de Beirute, no Monte Líbano. Fontes biográficas em árabe registram seu nome completo como Elias, filho de Habib Farhat, ligado a famílias tradicionais da região.
Aprendeu a ler numa escola de convento, com um sacerdote, mas deixou o estudo regular por volta dos dez anos, para trabalhar em atividades manuais. Desde cedo, destacou-se como poeta de zajal, forma de poesia oral libanesa em dialeto, muito presente em festas e encontros populares. O talento para o improviso em versos fez com que, ainda jovem, fosse convidado para recitar em celebrações na região.
Primeiros trabalhos e contato com a imprensa árabe
Na juventude, Farhat exerceu diversos ofícios: trabalhou em oficinas de marcenaria, na confecção de assentos de cadeira e em tipografias. Em Beirute, atuou como tipógrafo em jornais e revistas árabes, experiência que ampliou seu contato com a literatura moderna e com os debates do movimento de renascimento cultural árabe (Al-Nahda).
Foi nesse período que ele passou a escrever também em árabe clássico, aproximando-se da poesia escrita e da tradição dos grandes poetas árabes, sem abandonar completamente o universo popular do zajal.
Emigração para o Brasil (1910)
Em 1910, em meio à instabilidade política e econômica do Oriente Médio, Elias Farhat embarcou para o Brasil, seguindo o caminho de muitos sírio-libaneses que buscavam novas oportunidades nas Américas. As fontes indicam que ele chegou ao país nesse ano e pretendia, a princípio, retornar ao Líbano após juntar algum dinheiro.
No Brasil, passou por cidades de Minas Gerais e de São Paulo, trabalhando como caixeiro em casas comerciais, em pequenas fábricas e tipografias. A vida era difícil, marcada por longas jornadas de trabalho e por períodos de aperto financeiro. Mesmo assim, Farhat continuou escrevendo, muitas vezes à noite, conciliando a dureza do cotidiano com a dedicação à poesia.
Casamento e vida familiar
Registros biográficos indicam que Elias Farhat se casou com Júlia (Julie) Gibran, de origem libanesa, com quem constituiu família no Brasil. Fontes brasileiras citam descendentes e parentesco com famílias de imigrantes libaneses estabelecidos em Minas Gerais e no Paraná, reforçando a inserção de Farhat na comunidade árabe-brasileira.
Aprendeu a ler numa escola de convento, com um sacerdote, mas deixou o estudo regular por volta dos dez anos, para trabalhar em atividades manuais. Desde cedo, destacou-se como poeta de zajal, forma de poesia oral libanesa em dialeto, muito presente em festas e encontros populares. O talento para o improviso em versos fez com que, ainda jovem, fosse convidado para recitar em celebrações na região.
Atuação na imprensa árabe e na Liga Andaluza de Letras Árabes
No Brasil, além de publicar livros de poesia, Elias Farhat participou intensamente da imprensa em língua árabe. Ele colaborou com jornais e revistas dirigidos à comunidade árabe e esteve entre os nomes associados à Liga Andaluza de Letras Árabes (al-Usba al-Andalusiyya), fundada em São Paulo na década de 1930.
A Liga reunia escritores sírio-libaneses emigrados, promovia debates sobre literatura, identidade árabe e política internacional e publicava uma revista literária que circulou por cerca de duas décadas. Pesquisas recentes sobre a história da comunicação em árabe no Brasil destacam Farhat como um dos poetas mais ativos e como figura central nesse grupo, frequentemente associado à defesa do arabismo.
Anos no Paraná: Curitiba e Lapa
Reportagem da Gazeta do Povo e outras fontes localizadas no Paraná relatam que Elias Farhat viveu quase duas décadas entre Curitiba e a cidade histórica da Lapa, período em que escreveu algumas de suas obras mais importantes.
Ele se tornou uma figura conhecida na comunidade local, participando de banquetes, eventos culturais e homenagens. Fotos de acervos regionais mostram o poeta em encontros sociais, bem como convites impressos de refeições em sua honra.
A presença da família Farhat na região também aparece em registros oficiais, como nomes de ruas que homenageiam membros da família, indicando o enraizamento dessa linhagem de origem libanesa no Paraná.
Reconhecimento no mundo árabe
Nos países árabes, Elias Farhat é frequentemente citado em enciclopédias e artigos como um dos poetas mais importantes da diáspora árabe no século XX. Sua obra é associada ao movimento do mahjar e ao arabismo, pela defesa da unidade e da dignidade dos povos árabes.
Estudos mencionam que seus livros circularam no Líbano e na Síria, e que alguns poemas foram incluídos em programas escolares e universitários. Trechos de seus versos são citados em coleções de literatura árabe moderna e em pesquisas sobre a imigração árabe para a América Latina.
Últimos anos e falecimento
Elias Farhat faleceu no Brasil, em 1976, encerrando uma trajetória de mais de seis décadas de vida no país.
Desde então, sua memória e sua obra continuam a ser objeto de estudos acadêmicos, artigos de imprensa, eventos literários e homenagens. Em 2025, por exemplo, a Academia Mineira de Letras, em parceria com a Academia Líbano-Brasileira de Letras, Artes e Ciências, realiza um colóquio dedicado ao “centenário literário” de Elias Farhat, reafirmando o lugar do poeta como ponte entre o Líbano e o Brasil.