Poemas, livros e coletâneas

A obra de Elias Farhat é composta principalmente por livros de poesia em árabe, publicados no Brasil e difundidos no mundo árabe. Ele utiliza formas tradicionais, como as quadras rimadas (rubaiyat), e poemas mais longos, de tom lírico, filosófico, nacionalista ou moral.

Críticos e pesquisadores destacam três grandes eixos em seus escritos:

  • A experiência do exílio e da diáspora, entre o Monte Líbano e o Brasil;

  • O engajamento político e nacionalista, ligado ao arabismo e à luta contra o colonialismo;

  • A dimensão moral, existencial e espiritual, que reflete sobre tempo, morte, dignidade e solidariedade.

Principais livros (lista comentada)

Com base em biografias e estudos sobre a literatura árabe da diáspora, podem ser citados, entre outros, os seguintes livros de Elias Farhat:

“Rubaiyat Farhat”
رباعيات فرحات

Publicado no Brasil em 1925. Coletânea de quadras poéticas em árabe, seguindo a forma das rubaiyat (versos em estrofes de quatro linhas). Aborda temas como amor, destino, crítica social, humildade, orgulho, lealdade e reflexões morais.

“Diwan Farhat”
ديوان فرحات

Publicado em 1932. Reúne uma seleção ampla de seus poemas, consolidando seu nome na poesia árabe do mahjar. Inclui textos de inspiração lírica, patriótica e reflexiva, com forte presença de imagens da terra natal e do exílio.

“Ahlam al-Ra‘i”
أحلام الراعي
(“Sonhos de um pastor”)

Publicado em 1952. Utiliza a figura do pastor e a paisagem rural para refletir sobre simplicidade, pobreza, trabalho e espiritualidade. O cenário se alterna entre referências ao Líbano e ao interior brasileiro.

“al-Rabi‘”
الربيع
(“Primavera”)

Publicado em São Paulo, em 1973. Livro em que a primavera simboliza juventude, renovação e esperança. Recolhe poemas em que a lembrança da infância e da aldeia no Líbano aparece com força, ao lado de imagens de flores, campos e montanhas.

“al-Sayf”
الصيف
(“Verão”)

Também publicado em 1973. Os poemas evocam calor, plenitude e intensidade, em paralelo com tensões e conflitos políticos que marcavam o mundo árabe na época.

“al-Kharif”
الخريف
(“Outono”)

Publicado em 1973, como parte de uma trilogia de estações (Primavera–Verão–Outono). Trata de maturidade, velhice, memória e balanço de vida. A metáfora do outono aparece associada à passagem do tempo e à proximidade da morte.

“Fawakeh Raj‘iyya” – فواكه رجعية
(traduzível como “Frutos tardios”)

Reúne poemas de diversos períodos, publicados tardiamente. Funciona como uma espécie de colheita final de temas, retomando motivos recorrentes de sua produção: exílio, amor à pátria, natureza e ética.

Com base em biografias e estudos sobre a literatura árabe da diáspora, podem ser citados, entre outros, os seguintes livros de Elias Farhat:

Temas centrais na poesia de Elias Farhat

Exílio e saudade da pátria
A experiência de viver longe do Líbano é um tema central nos poemas de Elias Farhat. Ele revisita Kfarchima, as montanhas do Monte Líbano, os amigos de infância e o primeiro amor, sempre em contraste com o cotidiano no Brasil. O tom é de saudade, mas também de busca de sentido na travessia entre dois mundos.

Natureza e estações do ano
A natureza aparece de forma intensa: montanhas, cedros, neve, campos, rios e as estações – primavera, verão e outono – como metáforas das fases da vida. As imagens naturais servem de espelho para emoções e reflexões sobre o envelhecer, a memória e a passagem do tempo

Arabismo e política
Em muitos poemas, Farhat expressa uma visão política marcada pelo arabismo: defesa da unidade dos povos árabes, crítica à dominação colonial, menções à situação da Síria, do Líbano e da Palestina. Pesquisas sobre a Liga Andaluza de Letras Árabes apontam-no como uma das vozes mais claramente nacionalistas do grupo.

Imigrantes, trabalho e justiça social
A vida dos imigrantes árabes no Brasil – caixeiros, mascates, comerciantes, pequenos industriais – aparece em seus versos, com atenção às dificuldades, à pobreza e às injustiças, mas também à solidariedade e à esperança. Essa dimensão aproxima sua poesia de relatos históricos da imigração sírio-libanesa na América Latina.

Amor e espiritualidade
O amor humano (romântico, conjugal, familiar) e a busca espiritual atravessam sua produção. Farhat recorre a imagens de devoção, oração, gratidão e súplica, sem prender-se a um discurso doutrinário, mas como expressão de uma ética de dignidade, compaixão e respeito.

Poemas em destaque

Poema da “Mecha de Cabelos”

Um dos textos mais lembrados de Elias Farhat. Conta a história do jovem que, ao emigrar, recebe da amada uma mecha de seus cabelos como lembrança. O poema acompanha, ao longo da vida, a presença daquele fio de cabelo como símbolo de amor, de perda e de saudade da pátria.

Poemas patrióticos sobre o Líbano

Diversos poemas exaltam o Líbano como terra de beleza e de coragem, ao mesmo tempo em que criticam a fome, a divisão política e a interferência estrangeira. Esses textos reforçam sua imagem de poeta do arabismo e foram retomados em contextos políticos e culturais no mundo árabe.

Poemas sobre a diáspora e o Brasil

Em algumas composições, o Brasil aparece como cenário vivo: estradas, cidades, bairros de imigrantes. O tom mistura gratidão pelas oportunidades com consciência da dureza do trabalho e das rupturas provocadas pela migração.

Quadras morais (rubaiyat)

Suas quadras abordam valores como honestidade, lealdade, amizade, humildade e orgulho. Certos versos se tornaram proverbiais, sendo citados em jornais e compilações como máximas morais em língua árabe.
Acervo Elias Farhat - O Príncipe dos Poetas Árabes
Acervo Elias Farhat - O Príncipe dos Poetas Árabes